Psiquiatra | Andrea Favera - PSIQUIATRA PSIQUIATRA
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16 fev

A relação médico-paciente no contexto psiquiátrico

 

 

Ao médico-psiquiatra não cabe apenas ter excelente formação técnica e conhecimento para diagnosticar e tratar as “doenças da alma”, mas também prestar um atendimento humanizado, onde o paciente não seja rotulado pela doença que porta e sim, visto como alguém que sofre e que precisa ouvido e acolhido.

Acredito que uma boa relação médico-paciente deve ser calcada na empatia e na confiança – e esta demanda tempo e interesse de ambas as partes. Devemos nos expressar de forma clara e honesta, possibilitando uma participação do paciente no planejamento diagnóstico e terapêutico, sempre que possível. No cerne da aliança terapêutica está a consciência dos limites da medicina, sendo essencial a sinceridade diante da inexistência ou pouca eficácia de um tratamento. Nem sempre há a cura. Entretanto, fazer o máximo para oferecer alívio e conforto é fundamental.

A medicina é a mais solidária das atividades. Portanto quem se propõe a ser médico deve ter compaixão e aceitar o outro como ele é, sem restrições. Quem exerce a psiquiatria como uma profissão qualquer não deveria ter buscado essa especialidade, em primeiro lugar.

É importante lembrar que uma primeira consulta deve ser pormenorizada, explorando-se ao máximo o histórico do paciente, que vejo como um ser “biopsicossocioespiritual”, único em sua individualidade e idiossincrasias. Tendo clínica geral como formação de base, ressalto que algumas doenças clínicas podem gerar sintomas semelhantes aos de certas patologias psiquiátricas. Uma extensa avaliação clínica global é realizada antes de se fechar tanto um diagnóstico, como um prognóstico.

Em minha prática percebo uma forte necessidade em oferecer suporte contínuo após a consulta. Assim, orientações e esclarecimentos podem ser realizados por telefone e principalmente por e-mail. Alguns pacientes comunicam-se diariamente ou semanalmente através desse recurso precioso. Com isso os resultados costumam ser mais rápidos e eficazes.

Claro que nada substitui o exame clínico e o exame psíquico – que valorizo e de que não abro mão. Sem ver o paciente, trocar sensações e sentimentos não é possível construírmos um vínculo terapêutico sólido, o que inviabiliza qualquer possibilidade de tratamento. Não é raro que pacientes cheguem até a mim com essa triste queixa: “o médico com que me consultei nem me olhou nos olhos. Como pode saber o que tenho e ainda me prescrever medicamentos?”.

Diálogo e acolhimento constituem o alicerce que dá início a todo o processo de diagnóstico e tratamento. Para isso tem de haver discernimento intelectual a fim de avaliar precisamente as questões que transcendem as técnicas. Gosto muito de uma frase de Jung que diz: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”

Texto redigido por Andrea Favera